February 2012
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A boa crueldade
Pouca percepção pra analisar e organizar toda essa vida de passado, presente e futuro. É desde o que já fui, no que sou e no que poderei ser, sendo que tempo é relativo de um pra um, a velocidade de captação e evolução se difere numa proporção totalmente sem padronização. Amigos que se vão, paixão e ilusão, são pensamentos que fincam na velocidade de um raio e após um milésimo de segundo toda uma...
Louca mata
De jeitinho miúdo, pele branca, aspecto burguesa d’espectro mistério, balança o cacho loiro enquanto olho amêndoa reflete quase um vazio. Branco pérola. Gata preta. De mansinho se aproxima e acaricia seu cabelo negro, pele índio, menino bonito, assim puro que provoca, mas da tentação se amarrota. Desgraça! Ela surta e ele pira, se perdem, se acham, mas se perdem. Comendo a alma um doutro...
January 2012
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Morte no teatro
A princesa trancafiada na última torre e toda a merda de um final banalizado, foi contado. O auditório aplaudiu e de miúdo, na fileira esquerda, ao lado do extintor de incêndio, estava a se perguntar por devaneio, em silêncio - que merda de história é essa? - mas ninguém podia ouvir o pequenino Eça a se descontrolar com, como diziam àquela época, o grand finale da peça.
- Vá a merda - gritou...
December 2011
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November 2011
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Saindo pela tangente
A diferença entre mim e você, é que levo com seriedade a vivacidade do ser, mesmo que passageiro, sejam eles bons ou ruins. O bom, mesmo tendo a compreensão de que nossos valores não se equalizam, dedico a mim a paciência e o carisma, na esperança de uma comunicação harmoniosa e límpida. Sei que muitas vezes erro, porém por mais verdadeiras que sejam minhas palavras chulas exaladas e meu sujo ato...
October 2011
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cinzeiro
acho estupido, acho fraco necessitar dormir pelo meu corpo nao aguentar fisgadas de choques na coluna, alem da minha hiperatividade e ansia de se nao dormir, procurarei outra maneira que eu possa me sentir descansando ao ouvir o vento que suspira retalhando o ar e que por alguma magia eu possa controlar a velocidade de um acontecimento tao minusculo particular numa tremenda satisfacao, mas nao....
December 2010
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Offline
O que fiz para merecer isso? - dizia a mãe envolta nos cobertores, na companhia de seu marido, estende seu braço sob a cômoda arrastando para sua mão o copo de água que respinga no azulejo frio e o toma - não criei um filho para ficar na madrugada feito vagabundo a conversar com estranhos num mundo virtual que todos, que todos são uma especiaria de gentinha que não tem mais o que fazer - e nisso...
October 2010
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você não
ele podia te amar, te acolher em seu maior momento gélido de fraqueza, gargalhar com tua filosofia individualista sutilmente pura e jovial, transformando-o num apaixonante observador de suas feições.
você dizia tê-lo amado, acolhido em seu maior momento de ilusão, gargalhado com tua filosofia liberalista sutilmente negra e madura, transformando-te num apaixonante ouvinte de suas palavras.
ele...
August 2010
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jeans rasgado, apertado, desfiado, sujo. ele adora. o modo como a noite desenrola, da boca como o zíper se enrosca. bossa nova. da boa, se amontoa ao primeiro ato, se lambuza e usa a pessoa à toa. celibato, rumo ao vestiário com o primeiro otário. cheiro de ralo, vômito no vaso, pensamento gasto, raso. no amasso, arrastado num movimento de seu antibraço ao aço, corpo suado, lambida no suvaco,...
o príncipe do chapéu azul turquesa
o cachicol quadriculado e a manta que um dia foi de minha avó. deixarei de ser covarde, num caminho sem destino entre os móveis não coloniais da sala que nunca foi de jantar, escutando a canção vinda de um ambiente que um dia acreditei ser meu refúgio, de um dormitório amadeirado que teimo em dizer ser o meu quarto. danço encarnado, movimentos ritualísticos de encontro aos deuses que, ao se...
mandinga da sorte
que de tanto amor enloquece. a mente fantasia. a posse. o desejo de poder por não poder. fragilidade. menina adulta, menina flor. irradia luz no breu, sangrando. espinho minuncioso acaricía, pois. maldita planta, enterro. esquecida. sem direito a vida, minha vida. do jardim um campo, horizonte. morte. da luz a morte. do meu sangue venha a respectiva sorte.
July 2010
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na frente está o alvo
que se arrisca pela linha / não é tão diferente do que eu já fui um dia / se vai ficar / se vai passar / não sei / e num piscar de olhos lembro o tanto que falei / deixei / calei / e até me importei / mas não têm nada / eu tava mesmo errado / cada um em seu casulo / em sua direção / vendo de camarote a novela da vida alheia / sugerindo soluções / discutindo relações / bem certos que a verdade cabe...
não se chora e dá murro na parede
por estar vivo, guto… mas convenhamos que possa existir a possibilidade de tal ação, de tal façanha, de tal revolta se acaso estiver equilibrando mundos ao ombro. a mesmice sensação de ser uma carta de baralho, um castelo de baralho, a carta ali em baixo do castelo de baralho e puff, ciclo infinito de desmoronamento com a somatória de que cada repetição a angustia aumenta, o ódio aumenta, o...
June 2010
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March 2010
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February 2010
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Não preciso me drogar para ser um gênio, não preciso ser um gênio para ser...
– Charles Chaplin