o cachicol quadriculado e a manta que um dia foi de minha avó. deixarei de ser covarde, num caminho sem destino entre os móveis não coloniais da sala que nunca foi de jantar, escutando a canção vinda de um ambiente que um dia acreditei ser meu refúgio, de um dormitório amadeirado que teimo em dizer ser o meu quarto. danço encarnado, movimentos ritualísticos de encontro aos deuses que, ao se curvarem em desculpas, terei assim que perdoar a falsa vida que me deram. blasfêmia. não ei de justificar a imaturidade de um príncipe, pois, mesmo imatura, é superior de qualquer verdade mecânica, afronte da sabedoria deslexa naturalmente pura que tomo deste cálice. copo de requeijão. bloqueio. mulher rainha interrompe, mulher materna retorna desmoronando o castelo a qual estava construindo com tanto zelo e o trono se quebra e a música para. resta de aresta a pilha de louças a ser lavada, o juros de 8% na conta bancária, um garoto de verdades não tão sábias, imperfeito.
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